O ser humano é composto pelas dimensões, física, emocional, social, espiritual e intelectual; dimensões estas que devem ser cultivadas no dia a dia por toda nossa vida. E para que possamos viver de forma harmônica estas dimensões devem estar sempre inter-relacionadas. Somos os únicos responsáveis pela busca de nosso bem estar e qualidade de vida. Você já pensou nisto? Serviços Prestados pelo GRUPO PSICON-PSICORPO Informações: 55 11 2865-4845 5182-4544/9129-6351 ou ligabue@grupopsicon.com.br
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Mitos acerca da sexualidade
Quanto mais rígida uma sociedade em relação ao sexo, menor oportunidade há para se discutir de forma mais espontânea este assunto e maior o número de indivíduos com dúvidas e preconceitos que atrapalham, de forma direta, uma prática sexual satisfatória.
Abaixo, encontramos alguns "mitos" que ainda são muito comuns em nossa sociedade:
"O homem está sempre querendo e pronto para o sexo"
"O sexo deve ocorrer apenas (ou principalmente) por iniciativa do homem"
"Mulher que toma iniciativa sexual é imoral"
"Sexo é sinônimo de penetração do pênis na vagina"
"Quando o homem tem ereção é ruim para ele ter (não ter) orgasmo rápido"
"Sexo deve ser sempre natural e espontâneo; falar sobre sexo é prejudicial"
"Todo contato físico íntimo precisa terminar com penetração do pênis na vagina"
"O homem não deve expressar seus sentimentos"
"Todo homem tem o dever de proporcionar prazer a qualquer parceira sexual"
"Sexo é bom apenas se há orgasmo simultâneo"
"Parceiros em um relacionamento sexual instintivamente sabem o que pensam e/ou querem"
"Masturbação é suja e prejudicial"
"Masturbação com relacionamento sexual é errado"
"Se um homem perde a ereção é porque ele não considera a parceira atraente"
"É errado ter fantasias durante a relação sexual"
"Um homem não pode dizer não para o sexo"
"Há regras, universais e absolutas, sobre o que é normal em sexo"
A troca destes mitos por mais conversas entre os parceiros, por mais intimidade, mais esclarecimentos de dúvidas e por mais liberdade em pedir ao(a) parceiro(a) a satisfação de seus desejos, traz maior confiança sobre o próprio desempenho sexual e mais satisfação para a vida sexual.
Fonte(s):
• Hawton K. Sex therapy: a pratical guide. 5ª ed. New York: Oxford University Press; 1990.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A ansiedade pode ser boa
O psicólogo que passou meio século estudando o
desenvolvimento infantil diz que a mãe não é mais influente
do que o pai e alerta para o erro de tentar suprimir a ansiedade
André Petry, de Boston
Jerome Kagan, um dos grandes psicólogos do século XX, está de volta à moda. Em cinquenta anos de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil, Kagan dedicou-se ao estudo da ansiedade, e, quanto mais a doença aparece na sociedade moderna, mais atenção seu trabalho ganha. Aos 80 anos (parecem 65), ele joga tênis três vezes por semana e, mesmo aposentado desde 2000, segue batendo ponto no seu escritório na Universidade Harvard e mantém a língua afiada de sempre. Nesta entrevista a VEJA, durante a qual psicanaliticamente fumou cachimbo, ele critica pediatras e obstetras, diz que Freud disseminou o equívoco de que a ansiedade é ruim e - para alívio das mães e festa das feministas - afirma que a mãe não é mais influente do que o pai na criação dos filhos.
Estamos vivendo a "era da ansiedade"? A incidência hoje não é maior do que era ontem. No século XVI, a ansiedade vinha do risco de morrer antes dos 35 anos de doença infecciosa, ser assaltado na beira da estrada entre uma cidade e outra, ofender Deus e ir para o purgatório. Hoje, estamos ansiosos em relação a coisas diferentes, como status social, sucesso profissional, relação com amigos e cônjuges. O que determina a frequência e a intensidade da ansiedade são os genes, e os genes não mudaram do século XVI para cá. Mas o que determina o alvo da ansiedade é a cultura, e isso mudou.
A ansiedade é ruim? Desde que Freud disse que todas as neuroses vêm da ansiedade, passamos a ter um entendimento cultural de que a ansiedade é uma coisa tóxica. Não é. Todos nós somos ansiosos. Faz parte da condição humana, como ficar cansado, errar, sentir-se culpado, frustrado ou envergonhado. Não existe civilização em que ninguém fica ansioso. A ansiedade tem vantagens. As pessoas ansiosas são muito responsáveis e conscientes. Quando eu selecionava meus ajudantes de pesquisa, sempre que possível optava por jovens ansiosos, tímidos e introvertidos, porque eles trabalham com afinco e erram menos. Há pessoas ansiosas simplesmente brilhantes.
Albert Einstein era ansioso? Pela biografia dele, eu diria que não, mas T.S. Eliot era seguramente ansioso e ganhou o Nobel de Literatura em 1948. O matemático Paul Dirac era extremamente ansioso e também ganhou o Nobel de Física em 1933. Uma pessoa pode ser intensamente ansiosa, mas, se ela consegue trabalhar, relacionar-se no casamento, cumprir seu papel de pai ou mãe, não há problema. A ansiedade será um problema se atingir um estágio clínico, no qual vira doença, a superansiedade. Do contrário, só será problema para quem acha que é um problema. Conheço indivíduos altamente ansiosos que não interpretam sua condição como problema. Entendem que a vida é assim mesmo e estão satisfeitos.
De onde vem a superansiedade? Há dois argumentos. Os biólogos evolucionários dizem que a existência de hipervigilantes entre membros de nossa espécie foi decisiva na luta contra os predadores. Sob esse ponto de vista, portanto, a ansiedade foi uma vantagem adaptativa. O argumento contrário deriva da tese de Stephen Jay Gould (paleontólogo americano, 1941-2002) segundo a qual nem todas as mutações são úteis e positivas. Algumas são simplesmente subprodutos da evolução. O queixo é um exemplo. Ele não traz em si nenhuma vantagem adaptativa. O queixo existe como consequência arquitetônica do desenho da boca, esta sim uma solução evolutiva útil. A natureza simplesmente não saberia como construir uma boca como a nossa sem criar como subproduto o queixo. A tese de Gould pode ser aplicada à superansiedade. Ela seria um subproduto, uma sobra de algum outro arranjo genético positivo. Não sei qual dos dois argumentos é o mais correto, mas ambos fazem sentido.
Em meio século de estudos, o que lhe parece mais decisivo no desenvolvimento infantil? Duas coisas. Uma é que, nos primeiros dezoito ou vinte anos, vivemos verdadeiros estágios de maturação. Os dois primeiros anos são um estágio. De 2 a 5, outro estágio. De 5 a 7, outro. E, quando passamos de um estágio ao outro, parte do que ocorreu antes desaparece sem deixar vestígios. Não carregamos toda a bagagem conosco. As experiências da primeira infância simplesmente somem, são transformadas ou eliminadas. Antes, pensava-se que não perdíamos nada, que tudo ficava registrado. Não é verdade. A outra coisa é que a natureza humana é como uma cebola. Trocamos as camadas externas com facilidade. São as crenças, o comportamento. As camadas internas, mais próximas do centro, são difíceis de mudar. São os sentimentos, a ansiedade, a raiva, o orgulho. Carl Jung (psiquiatra suíço, 1875-1961) entendeu isso com seu conceito de "persona" e "anima". "Persona" é a camada externa, é o que nós vemos um no outro. "Anima" é o que está dentro da cebola, e nós não vemos.
A biologia é destino? Depende. Há doenças, pouquíssimas doenças, que quase certamente vão se desenvolver em quem tiver determinados genes. É o caso de Huntington (doença degenerativa do sistema nervoso central). Felizmente, menos de 1% da população tem os genes de Huntington. No outro extremo, há doenças, muitas doenças, que só se desenvolverão, mesmo em quem tiver os genes errados, caso numerosos fatores externos se combinem para deflagrar a moléstia. São muitas as pessoas com esses genes, mas é provável que nunca tenham as doenças. Portanto, a resposta é não: biologia não é destino.
Pais ansiosos terão filhos ansiosos? Se a ansiedade dos pais decorre de uma característica de sua natureza, a probabilidade de que seus filhos sejam ansiosos é um pouco mais alta. Isso porque estamos falando de hereditariedade. Mas, se a ansiedade dos pais tiver origem no ambiente, no meio em que vivem, a possibilidade de passar a ansiedade para os filhos será menor.
Qual a influência dos pais sobre o temperamento dos filhos? No caso do temperamento que tem origem genética, os pais podem ajudar a mudar o comportamento, ou seja, a forma como esse temperamento se manifesta. Eles podem ajudar seu filho a reduzir ou silenciar a intensidade com que o temperamento aparece, mas a vulnerabilidade estará sempre lá. Na minha pesquisa com bebês, há dois casos muito evidentes. (A pesquisa começou em 1986, com 500 bebês, dos quais 20% se revelaram inibidos e ansiosos, e são acompanhados até hoje por seguidores e Kagan.) Uma das garotinhas pesquisadas, a quem chamamos de Mary, vem de uma família que lhe dá muito apoio e incentivo. Hoje, aos 24 anos, Mary está na faculdade e vai muito bem. Outra pesquisada, Baby 19, veio de uma família de pais divorciados e está tendo muitos problemas. As duas, Mary e Baby 19, têm o mesmo temperamento, mas as famílias fizeram a diferença.
O nível educacional e a classe social dos pais têm muita influência sobre o futuro dos filhos? Tem mais influência do que a genética. O melhor indicador de doença mental, de qualquer doença mental, é a classe social, e não os genes. Por hipótese, suponhamos que há um grupo de 1 000 bebês lá fora. Você e eu vamos pesquisá-los para determinar quais bebês poderão estar sofrendo de depressão aos 30 anos de idade. Você só pode examinar os genes dos bebês. Eu só posso examinar a educação e o nível de renda dos pais dos bebês. Meu resultado será mais exato do que o seu. Os que ocupam o topo da pirâmide social, em termos de educação, trabalho e renda, têm menos doença mental, vivem sete anos a mais e seus filhos são mais saudáveis. Em resumo, são pessoas mais felizes.
O amor da mãe é condição necessária para a saúde mental da criança no futuro? É conversa fiada. As crianças tomam consciência de si mesmas por volta dos 2 anos de idade. Quando isso acontece, a criança, para crescer mentalmente saudável, precisa acreditar que pelo menos um dos pais a valoriza. Pode ser a mãe ou o pai, não necessariamente a mãe. Observe: eu usei o verbo valorizar, não o verbo amar. A criança precisa se sentir valorizada. Na cultura escandinava, os pais não beijam nem abraçam os filhos, nem dizem "eu te amo". Mas estão sempre reforçando nos filhos a ideia de que eles são valorizados.
Beijar e abraçar o filho não faz diferença? Depende da interpretação e do contexto cultural da criança. Uma criança que cresce no Brasil talvez não acredite no amor de seus pais caso eles não a abracem e beijem. Mas não é a mesma coisa na Escandinávia. Há anos, tive um aluno, filho de mexicanos, criado na Califórnia. Não conhecia a Nova Inglaterra até se matricular em Harvard. Quando completou seu primeiro ano aqui, perguntei o que lhe havia chamado mais atenção. Ele riu e disse: "É estranho que os pais dos meus colegas venham visitá-los e não deem um abraço nem um beijo nos filhos". É cultural. Ele, filho de mexicanos, de origem latina, não entendia a indiferença física. As famílias da Nova Inglaterra não beijam nem abraçam seus filhos, mas os filhos sabem que os pais os valorizam.
O pediatra Berry Brazelton diz que a presença e o amor dos pais são fundamentais para criar crianças saudáveis e seguras. Ele está errado? Brazelton não está errado, mas os pediatras exageram o papel da afeição no primeiro ano de vida. Claro que os pais têm importância. Agora, é preciso entender que a criança que tem laços com seus pais está mais inclinada a fazer o que os pais querem que ela faça do que a criança que não tem os mesmos laços. É um contrato. A criança recebe carinho e afeição e, em troca, dá o que lhe pedem. Mas suponhamos que um pai carinhoso e amoroso queira que sua filha, em pleno século XXI, cresça como uma menina do século XIX, sem pensamentos de natureza sexual, calada e conformada. Isso será bom para a filha quando tiver 20 anos? Não. Portanto, se os pais usam os laços afetivos a serviço de bons valores, ótimo para a criança e seu futuro. No caso de valores inadequados, seria preferível que os laços não existissem. É disso que Brazelton não fala.
Não seria porque partimos do princípio de que os pais fazem o melhor para seus filhos? Mas essa é uma premissa errada. Os pais às vezes promovem valores errados. Em O Caçador de Pipas, Baba, o pai, amava seu filho Amir, mas queria que fosse um bravo, um valente, e não um escritor. O resultado foi que, com todo o amor, Baba criou um filho ansioso e que se sentia rejeitado pelo pai. Então, o amor funciona quando os pais promovem valores que servem para a criança no futuro.
No início da vida da criança, o pai e a mãe são igualmente significativos? Se a cultura disser que são, então eles serão. Mas a nossa cultura não diz isso. Ela nos diz que a mãe tem de amar seu filho. Nas últimas linhas de Narciso e Goldmundo, de Hermann Hesse, Goldmundo está morrendo nos braços de Narciso e então diz: "Mas como poderás morrer, Narciso, se não tens mãe? Sem mãe, não se pode amar. Sem mãe, não se pode morrer". Essa é a visão ocidental. É, de novo, uma questão cultural. Na Europa renascentista, o pai era considerado mais vital do que a mãe. Michel de Montaigne (escritor e ensaísta francês do século XVI) escreveu que o pai era a força mais relevante, pois a mãe era exageradamente emocional. O ideal, dizia Montaigne, era afastar logo a criança da mãe "e usar uma cabra para amamentá-la".
Todo casal hoje valoriza e registra em vídeo o momento em que o obstetra entrega o bebê nos braços da mãe assim que nasce... Bobagem. Isso parece bruxaria.
Mas a mãe amamentar o filho pele com pele também é dispensável? Isso não. Além de a amamentação ser recomendável, o contato do bebê com a pele da mãe traz benefícios para a saúde de ambos. Falamos da pele da mãe apenas porque o pai não amamenta. Se amamentasse, podia ser a pele do pai.
Fonte:Veja.com
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os acidentes de trabalho são a causa da morte de mais de dois milhões de trabalhadores no mundo por ano. São três pessoas que morrem a cada minuto devido a condições impróprias de trabalho. Acompanhe os dados da OIT:
- Em 2001, morreram 650 mil pessoas em conflitos armados. As vítimas de morte por acidentes de trabalho foram mais de um milhão e 300 mil pessoas - mais que o dobro!
- No mesmo ano, 340 mil pessoas foram afetadas devido ao contato com substâncias perigosas (produtos químicos e radioativos, por exemplo).
- O contato com o amianto foi responsável pela morte de 100 trabalhadores em 2001 - a maioria ocupada na construção civil.
- A falta de segurança no trabalho mata mais do que as drogas e o álcool juntos.
- Os setores que apresentam menores condições de segurança em todo o mundo são a agricultura, a construção civil e a mineração.
Apesar de estes setores liderarem a lista de acidentes, o Brasil testemunha atualmente o alarmante número de acidentes em uma categoria de trabalho em expansão: os motoqueiros. O serviço de courier através de motos une vários fatores de risco: violência das ruas, roubos seguidos de mortes (latrocínios), acidentes de trânsito, entre outros.
FONTE:http://www.ibge.gov.br
terça-feira, 12 de julho de 2011
DESAPEGO UMA ATITUDE A SEU FAVOR

Você acredita que um dia precisará de objetos, roupas, calçados, e por isto não se desprende deles, por medo de não mais adquiri-los?
E o seu dinheiro, você guarda tudo, pois não se convence que poderá conquistá-lo no futuro?
E sentimentos negativos, como raiva, mágoa, medo, tristeza você mantém dentro de você?
Já pensou que para que possamos ter novas coisas ou oportunidades em nossa vida, precisamos de um espaço vazio, seja dentro de nós, de nossa casa e etc...
A prosperidade só faz parte de nossa vida, se existir este espaço e se focarmos as soluções de nossas dificuldades e não o problema em si.
Jogue fora o inútil que existe dentro de você e em sua vida, para que possa prosperar.
Objetos e emoções negativas guardados paralisam sua vida. Guardamos por medo da escassez.
E quando acreditamos que há falta, não acreditamos em nosso potencial de realização.
Problemas e sofrimentos são inerentes a vida humana, agora, buscar as soluções da melhor forma possível é uma escolha.
Podemos pensar ainda que tudo é impermanente em nossa vida e já que é inevitável esta condição, porque não vivermos os altos e baixos com mais tranqüilidade e mais presentes no aqui e agora? Afinal tudo passa, tudo está em um fluxo constante.
Esta afirmação há tempos está presente nos pensamentos abaixo.
Heráclito (pensador pré-socrático, 540 a.c - 470 a.c) diz: "Tudo flui (panta rei), nada persiste, nem permanece o mesmo". “Tudo passa, tudo flui. Panta re, panta corei.”
Segundo a filosofia budista (VI e IV a.c): “Mudar a todo o momento mostra a natureza impermanente de nosso próprio corpo, mente e vida. Esta impermanência que temos de enfrentar é inevitável.” (ensinamentos fundamentais do budismo Ch’an)
O Desapego nos traz liberdade, e a sensação que somos donos de nossas próprias vidas, autores, e a construímos conforme nossas necessidades e desejos.
A vida nos trará situações para que aprendamos a nos desapegar e para que compreendamos a importância constante desta prática.
A insistência em não contarmos os vínculos com o que é nocivo em nossas vidas, nos leva a não prosperarmos e a acreditarmos que não somos merecedores.
Se alegrias e bons momentos são passageiros, o sofrimento também segue o mesmo curso, ele também é uma situação de impermanência. Logo, desapegar-se dos momentos ruins com a certeza que podemos direcionar nossa vida para o melhor, também nos possibilitará novas formas e maior constância de vivermos com mais qualidade de vida e bem estar.
Silvia Ligabue
Psicóloga Clinica e Coaching em Bem estar
ligabue@grupopsicon.com.br
11 2865-4845/ 9129-6351
A INDÚSTRIA DOS DESCASADOS
Por Alexandre Teixeira
Ediana Balleroni, diretora da empresa de relações públicas The Jeffrey Group, casou muito cedo, aos 22 anos, e se divorciou igualmente cedo, aos 27. Desde então, já se passaram 10 anos, e a menina simples dos tempos de solteira virou uma mulher sofisticada em sua fase descasada. Tirando o cabelo loiro e os olhos azuis, quase tudo mudou. Ela era advogada. Hoje, trabalha com marketing. Seus hábitos de consumo se sofisticaram. Só na categoria esportes radicais, os hobies da moça incluem saltos de pára-quedas, rapel, rafting, esqui e equitação – duas vezes por semana, alternando com a malhação na academia. Ediana gosta de carros, principalmente dos fora-de-estrada e tem um Suzuki Gran Vitara na garagem. É compradora voraz de CDs de jazz e DVDs. “Eu não sou uma mulher CCC”, resume esta fã do seriado Sex and the City, referindo-se às donas de casa cuja vida gira em torno do triângulo nada amoroso casa, criada e criança. Solidão? Que nada. Ediana namora, sai muito à noite, viaja com freqüência – e, o que interessa no mundo dos negócios, gasta muito dinheiro. Ela é uma típica representante de uma classe de consumidores em ascensão, que movimenta a economia das grandes cidades e cada vez mais atrai a atenção de diversos setores da indústria e dos serviços: os descasados.
Não há estatísticas no Brasil capazes de precisar quanto dinheiro este público movimenta. Mas já é possível ter uma boa idéia de quem são e o que compram essas pessoas. O último censo demográfico do IBGE identifica 4.981.316 brasileiros desquitados, separados ou divorciados. A maior parte deles vive no que o instituto de pesquisas LatinPanel chama de domicílios independentes, onde não há crianças. São, de acordo com o instituto, alvos preferenciais para produtos práticos de uso individual. E para os chamados supérfluos, já que 22% de todos domicílios das classes A e B estão nesta categoria. Eles consomem 27% do requeijão e dos sorvetes vendidos no Brasil, 38% do adoçante e 24% do café solúvel. O segmento do mercado que trabalha com sachês e porções para uma ou duas pessoas responde por alguma coisa entre 5% e 10% do faturamento total do setor de alimentos e bebidas, que deve chegar a R$ 150 bilhões neste ano.
Uma olhadela no registro civil revela que quase 220 mil pessoas se divorciam ou separam judicialmente no Brasil a cada ano. Um exército de prestadores de serviços espera esses descasados de braços abertos. “A pessoa quando se separa vai para um apartamento e diz: e agora?”, nota Miriam Freire, dona da Host Services, uma curiosa empresa que se especializou em arrumar casas para descasados. Nos dois sentidos: encontrar bons imóveis para seus desamparados clientes e tomar as providências para manter apartamentos e casas limpos e organizados. De olho na mesma freguesia, a chef de cozinha Mônica Sky, dona da escola Studio do Sabor, criou uma aula mensal de culinária para solteiros e descasados interessados em aprender receitas rápidas, fáceis e de efeito – boas para impressionar uma visitinha especial. A novidade atraiu uma clientela jovem, com idade entre 28 e 35 anos, com boa presença masculina.
É o tipo de público que, antes mesmo do início das obras, já comprou 85% das 338 unidades do edifício Mandarin, que a construtora Cyrela lançou na Zona Sul de São Paulo. São apartamentos de alto padrão, feitos sob medida para quem mora sozinho. Não muito grandes, mas recheados de serviços e de belas áreas comuns. Como o Espaço Gourmet, que serve para cozinhar e para receber convidados fora do apartamento. “O consumidor ‘single’ é exigente, mas é também mão aberta”, define Mitiko Okuma, dona da Art Turismo, uma das primeiras agências de viagem para descasados no Brasil. Uma combinação atraente que estimulou a Sun & Sea a trazer para o Brasil o con-
ceito de cruzeiro marítimo para “singles”. No dia 8 de março, o na-
vio Island Escape zarpa do Porto de Santos com destino a Florianópolis, na primeira viagem do gênero planejada para desca-
sados e solteiros brasileiros.
Eremitas convictos à parte, quem mora sozinho não gosta de ficar sozinho em casa. Na maioria dos casos, o recém-descasado procura se reintegrar ao mundo dos solteiros. Os bares de paquera estão cheios deles. “No meu pub, as moças sabem que não vão ser abordadas de maneira agressiva”, garante Agenor Dias, o Kiko, dono do Charles Edward, decano da cena “single” de São Paulo. A economista paulista Ana Lúcia Manfredini faz parte da turma de freqüentadores assíduos do lugar. Ela se casou aos 17 anos e logo depois teve um filho. O garoto está com 13 anos. Ela tem 31, está separada há 9 e freqüenta o Charles Edward faz mais de 2 anos. “Nunca fui de sair, mas depois que uma amiga me trouxe uma vez, passei a vir toda semana.”
Nenhum canal do varejo tem sua imagem tão associada ao mercado “single” como as lojas de conveniência. Lojas desse tipo atraem gente jovem e bonita e estimulam compras rápidas e por impulso. “Não é aquela coisa chata de passar duas horas no supermercado”, diz Marcelo Manna, gerente do Mercado de Conveniência da Shell. Nas lojas de bandeira Select, associadas aos postos Shell, solteiros e descasados de 28 a 41 anos são maioria. Supermercados, em oposição, ainda são um reduto da família. Mas pelo menos uma das grandes redes, o Pão de Açúcar, já colocou o público “single” no centro de sua estratégia. É para ele aquele bifão de picanha de 200 gramas da Wessel, em porção única, que o supermercado agora vende nas suas lojas.
Além de um arsenal de pratos prontos e semi-prontos para quem quer praticidade, há amenidades para os momentos de sofisticação. “Se um descasado vai preparar um jantar romântico a dois, eu quero que ele encontre tudo aqui”, afirma Paulo Lima, o executivo responsável pela ambientação dos supermercados da cadeia. O consumidor em questão pode comprar um salmão grelhado na rotisseria, apanhar uma torta Olivier Anquier e arrematar com um arranjo do florista Vic Meirelles. Tudo dentro de uma das 40 lojas “top” da rede preparadas para atender este público. Nelas, a oferta de vinhos em meia garrafa chega a 30 marcas. Ainda menor, a minigarrafa de Moet Chandon de 200 ml, ideal para quem quer tomar uma taça sozinho, já representa 15% das vendas da marca no Brasil.
Na área de alimentos industrializados, a produção de pratos prontos congelados aumentou 550% nos últimos seis anos e hoje chega a quase 20 mil toneladas por ano. Só a Sadia, nos últimos dois anos, mais do que dobrou sua oferta neste segmento e hoje oferece mais de 30 itens. “O varejo e a indústria viram que é possível aumentar as vendas e ter um ganho unitário maior com porções feitas sob medida para uma ou duas pessoas”, diz Claudio Felisoni de Angelo, coordenador do Programa Pró-Varejo da Universidade de São Paulo.
Nem só de novidades vive o recém-divorciado. Retomar velhos hábitos de solteiro é parte do processo, e o engenheiro Gilberto Kalil é uma prova viva. No início dos anos 80, ele era um orgulhoso proprietário de uma CB 450, sonho de consumo dos motoqueiros brasileiros dos anos de mercado fechado. A farra sobre duas rodas acabou em 1985, ano de seu casamento. “Minha esposa não podia nem ver a moto”, lembra. Kalil vendeu seu brinquedinho favorito e passou 15 anos casado. Separado, acaba de comprar uma nova motocicleta. A máquina agora é japonesa e tem o dobro de cilindradas da velha CB. Aos 45 anos, com os dois filhos criados e um restaurante para administrar, ele pode não ser mais o selvagem da motocicleta, mas volta a sentir o prazer do vento forte no rosto com entusiasmo de adolescente. Descasados convictos prezam tanto sua liberdade que nem cachorro aceitam em casa. Preferem gato. Ou gatas, como Ediana, que tem três. “Gato é um bicho muito companheiro, ao contrário do que diz a lenda, e tem a auto-suficiência que convém ao descasado”, ensina. Não é por acaso que, em domicílios como o dela, o consumo de rações para os bichanos supera em 45% a média nacional.
Fonte:Isto é dinheiro
sexta-feira, 8 de julho de 2011
O Amor
Seja qual for sua crença, ou sua fé, busque primeiro o Amor.
Ele está aqui, existindo agora, neste momento.
O pior destino que um homem pode ter
é viver e morrer sozinho, sem amar e sem ser amado.
O poder da vontade não transforma o homem.
O tempo não transforma o homem.
O Amor transforma.
Henry Drummond