A saúde é a condição de vida que se quer ter. Por isso é muito importante que estejamos ligados aos sinais do nosso corpo para compreendermos quais são seus limites.
Segundo a O.M S (1986): “A saúde do ser humano é o completo bem estar biológico, psicológico, social e não apenas a ausência de doença".
A integração destas três dimensões é muito importante para nossa saúde.Para entendermos a saúde e a doença, além do ambiente físico imediato e hereditariedade, o estilo de vida (hábitos alimentares, postura, relacionamentos, ritmo de vida) é um dos fatores mais importantes para termos condições para uma boa saúde, reduzindo assim, nossa chance de adoecer.Nos últimos tempos, houve um aumento das doenças decorrentes da interação do ser humano com seu ambiente psicossocial (trabalho, família, grupo social, etc.)Há uma maior atenção em psicoses e neuroses no trabalho, por gerarem desconforto de relacionamento e incapacidade para o trabalho.Vivemos constantemente sob pressão , estas pressões a que somos submetidos no dia a dia, são fatores estressores.Estes podem ser organizados em três níveis: - decorrentes dos tempos atuais, as demandas sociais e questões organizacionais.Os tempos atuais referem-se ao ambiente da sociedade urbana, como ruído, aglomeração, trânsito, etc.As demandas individuais, à sensibilidade pessoal. O que sensibiliza uma pessoa pode agredir a outra; experiências negativas ou positivas. Ex. Lidar com a depressão, perfil socioeconômico.As questões organizacionais exigem de nós uma alta capacidade de readaptação; necessidade de participação, carga de trabalho, promoção, empregabilidade, etc.O estresse é um processo de tensão diante de uma situação de desafios que pode ter um resultado tanto positivo como negativo para o individuo.O processo negativo é denominado distress, situações de desconforto, ou doença.O distress pode ter duas dinâmicas geradoras de sintomas de doenças.Uma por estresse por causa da monotonia, ausência de esforço, sedentarismo; a outra que é a sobrecarga, o excesso, o esforço a mais.O eustress que gera situações de esforços e resultados positivos. É uma tensão com equilíbrio e elasticidade com adequação entre o esforço e resultado.Sabe-se que o estresse não acontece de repente e nem por acaso.
Segundo o estudioso Hans Selye a síndrome geral de adaptação, ou seja, como respondemos às pressões do meio ambiente, se dá em três etapas: A reação de alarme, a resistência e a exaustão.Vivemos a reação de alarme nos fatos inesperados, como por exemplo, uma prova surpresa, uma avaliação de desempenho no trabalho sem ser avisado antecipadamente. A ação de resistência acontece quando o agente estressor mantém sua ação, como mudanças de humor, insônia, irritabilidade, como por exemplo, pessoas que possuem uma vida com muitas exigências. A fase de exaustão é a do cansaço, perda da capacidade de resposta. Ex. a perda de pessoas queridas.Como entender os sinais do nosso corpo? Quais são estes sinais?Os indicados de estresse são os sinais do nosso corpo, do ponto de vista psicológico, são as instabilidades psíquicas, ora você está rindo, ora está chorando. Observamos ainda, a ansiedade constante, a depressão, a irritabilidade frente a uma pequena pressão.Os físicos são úlceras, alergias, asmas, enxaquecas, entre outros.Os sociais são: baixa produtividade, falta de concentração no trabalho, conflitos domésticos, etc.Estes sinais nos mostram que o estresse não se estabelece sem sinalizar. E a partir do momento que conseguimos visualizar o estresse como dificuldade de adaptação e flexibilidade, já estamos sendo nosso próprio cuidador.Através do autoconhecimento temos maior percepção dos nossos limites, mais habilidade para interagir com o meio.Por isso vamos estar atentos a eles, para que possamos nos manter saudáveis.
Silvia Ligabue
PsicoterapeutaConsultora em Programas de Qualidade de Vida no Trabalho
ligabue@grupopsicon.com.br
O ser humano é composto pelas dimensões, física, emocional, social, espiritual e intelectual; dimensões estas que devem ser cultivadas no dia a dia por toda nossa vida. E para que possamos viver de forma harmônica estas dimensões devem estar sempre inter-relacionadas. Somos os únicos responsáveis pela busca de nosso bem estar e qualidade de vida. Você já pensou nisto? Serviços Prestados pelo GRUPO PSICON-PSICORPO Informações: 55 11 2865-4845 5182-4544/9129-6351 ou ligabue@grupopsicon.com.br
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
3ª Campanha de Prevenção da Doença Renal Crônica: Um em cada dez brasileiros tem problemas renais
Palestras e oficinas, para profissionais e público geral, acontecem nos dias 21 e 22 de agosto; em campanhas anteriores, 23,15% dos atendidos apresentaram propensão à DRC (Doença Renal Crônica) O Centro Integrado de Nefrologia (CINE) e HDC - Home Dialysis Center, clínicas especializadas em saúde renal, promovem oficinas, palestras e atendimento à população nos dia 21 e 22 de agosto, durante a 3ª Campanha de Prevenção da Doença Renal Crônica, na cidade de Guarulhos. (www.hdcdialise.com.br). De acordo com o censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes em diálise no país cresceu 18,25% em um ano, passando de 73.605, em janeiro de 2007, para 87.044 em março de 2008. Estima-se ainda que um em cada dez brasileiros seja portador de algum tipo de doença renal. “As enfermidades renais são consideradas uma das epidemias silenciosas do século XXI. Porém, o diagnóstico precoce pode interromper ou diminuir a perda progressiva da função renal, evitando ou adiando a entrada em diálise”, explica Dra. Carmen Tzanno, nefrologista e diretora do CINE-HDC. No dia 22 de agosto (sábado), das 9h às 17h, no Bosque Maia (Av. João XXIII, 485 – esquina com a Av. Paulo Faccini, no bairro - Jardim Maia) haverá o circuito de atendimento à população. O público poderá participar, entre outras atividades, de aulas de alongamento, com duração média de dez minutos, que serão realizadas às 11h e às 15h, e também fazer testes preventivos de pressão arterial, glicemia capilar, urianálise (teste que detecta a perda de açúcar, proteína e sangue pela urina) e antropometria (peso, altura, circunferência abdominal). Após a realização dos testes, os resultados serão analisados por médicos e, se houver necessidade, o participante será encaminhado ao serviço de saúde. Em duas Campanhas de Prevenção realizadas em 2007 e 2008, 667 pessoas foram atendidas, sendo que 75 delas (23,15%) apresentaram propensão à DRC (Doença Renal Crônica) e foram encaminhados para a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Programação completaAs palestras e oficinas serão realizadas na Universidade de Guarulhos – UnG (Auditório “F” do Campus Centro - Praça Tereza Cristina, 1 – Centro – Guarulhos). Especialistas em Nefrologia, tanto do CINE-HDC quanto de instituições que se dedicam a essa área, abordarão temas relacionados aos diversos aspectos referentes à saúde renal, como nutrição, psicologia, educação física, campanhas preventivas, políticas públicas de saúde, entre outros. O investimento para participar nas oficinas é de R$ 20,00, para reservas antecipadas, e de R$ 30,00 para inscrições efetuadas no dia do evento. As palestras são gratuitas. 21 de agosto - sexta-feira: Das 9h às 11h – Oficinas: Nutrição: Aconselhamento nutricional e suas diferentes abordagens para maior adesão às orientações alimentares. Bárbara Margareth M. Biavo – nutricionista do HDC Clarissa B. Uezima – nutricionista do CINE Anita Sachs – UNIFESP – EPM Psicologia: Grandes encontros: Diálise e qualidade de vida. Geison Stein Meirelles Ramos – psicólogo do CINE-HDC Educação Física: Atividade Física e Doença Renal: Isto combina? Simone Guaraldo – educadora física responsável pelo programa de atividade física do CINE-HDC Serviço Social: Aspectos transformadores na vida social. Simone Camillo – assistente social do HDC Wilma Correia – assistente social do CINE · Enfermagem: DPA ou DPAC – Uma terapia para o dia-a-dia.Mirian Abe – Enfermeira responsável pelo serviço de DPA e DPAC do CINE Claudete Moura Praxedes – Enfermeira responsável pelo serviço de DPA e DPAC do HDC Farmácia: Atenção farmacêutica ao paciente insuficiente renal Moacyr Aizenstein – Coordenador do Laboratório de Neurofarmacologia do ICB- USP A partir das 14h – Palestras: 14h: Como organizar uma campanha de prevenção. Dra. Carmen Tzanno Branco Martins – nefrologista e diretora do CINE-HDC 14h30: Equipe multiprofissional e humanização. Dr. João Paulo Lian Branco Martins – Psiquiatra/Coordenador da equipe multiprofissional do CINE/HDC 15h10: Políticas públicas de saúde. Dra. Patrícia Abreu – UNIFESP 15h50: Alimentação e saúde. Ms. Hevoise Fátima Papini 16h30: Discussão de caso. Equipe Multiprofissional 17h: Encerramento. Dr. Elzo Ribeiro Junior – nefrologista e diretor do HDC 17h10: Coquetel de encerramento. Serviço Tema: Oficinas e palestras sobre saúde renalData: 21 de agosto de 2009 (sexta-feira)Horário: das 9h às 11h e das 14h às 17h (vide programação)Local: Universidade de Guarulhos – UnG (Auditório “F” do Campus Centro - Praça Tereza Cristina, 1 – Centro – Guarulhos Investimento para as oficinas: . R$ 20,00 para inscrições até 16 de agosto.. R$ 30,00 para inscrições realizadas no dia do evento. *Alunos da UnG e funcionários da Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos estão isentos da taxa, mediante apresentação de documento que comprove vínculo com as respectivas instituições. As palestras são gratuitas Atendimento preventivo à comunidade (gratuito)Data: 22 de agosto de 2009 (sábado)Horário: das 9h às 17hLocal: Bosque Maia (Av. João XXIII, 485 – esquina com a Av. Paulo Faccini, no bairro - Jardim Maia), em Guarulhos Informações e inscrições: www.hdcdialise.com.br ou (11) 2225 9500 Sobre o CINE-HDC As clínicas HDC (Home Dialysis Center) e CINE (Centro Integrado de Nefrologia), dirigidas pelos médicos nefrologistas Carmen Tzanno Branco Martins e Elzo Ribeiro Jr., buscam proporcionar bem-estar a pacientes renais. Para isso, contam com equipes multiprofissionais, formadas por profissionais especializados, além de atividades complementares e apoio psicológico, nutricional e social, para garantir melhor qualidade de vida. O CINE foi criado em 1993 em Guarulhos (SP). O HDC está localizado no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Oferecem várias modalidades de terapia renal substitutiva, como hemodiálise, diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) e diálise peritoneal automatizada (APD).
domingo, 2 de agosto de 2009
Por que faz tão mal ficar parado?
Publicado originalmente na gazetaweb.globo.com - 10/07/2009
A falta de exercício pode ser um fator de risco tão grave para o coração quanto a hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou obesidade - e, se associado a esses, pior ainda. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, 70% da população mundial é sedentária. E a falta de atividade física, somada a uma alimentação não-balanceada, é responsável por 54% do número de mortes por infarto. Já um estilo de vida ativo pode ajudar a reduzir o risco de morte em até 40%.Por que estilo de vida ativo faz tão bem à saúde?"Isso porque a atividade física ajuda a baixar os níveis de colesterol e melhorar o controle do diabetes, além de auxiliar no equilíbrio da pressão arterial e melhorar a capacidade respiratória", explica o cardiologista Marcos Bubna. "São atividades simples, como caminhada, corrida, natação ou andar de bicicleta, que podem salvar muitas vidas", completa.Qual o mínimo de atividade física para deixar de ser sedentário?O ideal, segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é praticar uma atividade aeróbica pelo menos quatro dias por semana, com um mínimo de 40 minutos de duração, que podem ser divididos em dois ou três períodos diários. "Antes de iniciar seu programa de atividade física é muito importante um bom check-up do coração, um eletrocardiograma, o teste de esforço e a consulta com um cardiologista. Esse cuidado pode dar muito mais segurança ao exercício e para prevenção cardíaca", reforça Bubna.A Associação Brasileira de Qualidade de Vida defende, inclusive, que os executivos que se exercitam tendem a render mais no trabalho. Tanto, que algumas empresas chegam a adotar programas de incentivo para combater o sedentarismo - como adotar as escadas no lugar do elevador para subir.Veja algumas dicas simples para deixar o sedentarismo de lado- Adotar quatro dias na semana para fazer uma caminhada. Além dos benefícios para o coração, a prática ajuda no bem-estar;- Preferir as escadas ao invés do elevador;- Estacionar o carro em um local um pouco mais distante do destino; - Dispensar a escada rolante nos shoppings;- Levantar para falar com o colega, ao invés de chamá-lo pelo telefone ou pelo computador.
A falta de exercício pode ser um fator de risco tão grave para o coração quanto a hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou obesidade - e, se associado a esses, pior ainda. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, 70% da população mundial é sedentária. E a falta de atividade física, somada a uma alimentação não-balanceada, é responsável por 54% do número de mortes por infarto. Já um estilo de vida ativo pode ajudar a reduzir o risco de morte em até 40%.Por que estilo de vida ativo faz tão bem à saúde?"Isso porque a atividade física ajuda a baixar os níveis de colesterol e melhorar o controle do diabetes, além de auxiliar no equilíbrio da pressão arterial e melhorar a capacidade respiratória", explica o cardiologista Marcos Bubna. "São atividades simples, como caminhada, corrida, natação ou andar de bicicleta, que podem salvar muitas vidas", completa.Qual o mínimo de atividade física para deixar de ser sedentário?O ideal, segundo os parâmetros da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é praticar uma atividade aeróbica pelo menos quatro dias por semana, com um mínimo de 40 minutos de duração, que podem ser divididos em dois ou três períodos diários. "Antes de iniciar seu programa de atividade física é muito importante um bom check-up do coração, um eletrocardiograma, o teste de esforço e a consulta com um cardiologista. Esse cuidado pode dar muito mais segurança ao exercício e para prevenção cardíaca", reforça Bubna.A Associação Brasileira de Qualidade de Vida defende, inclusive, que os executivos que se exercitam tendem a render mais no trabalho. Tanto, que algumas empresas chegam a adotar programas de incentivo para combater o sedentarismo - como adotar as escadas no lugar do elevador para subir.Veja algumas dicas simples para deixar o sedentarismo de lado- Adotar quatro dias na semana para fazer uma caminhada. Além dos benefícios para o coração, a prática ajuda no bem-estar;- Preferir as escadas ao invés do elevador;- Estacionar o carro em um local um pouco mais distante do destino; - Dispensar a escada rolante nos shoppings;- Levantar para falar com o colega, ao invés de chamá-lo pelo telefone ou pelo computador.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Estudo mostra relação de dieta e envelhecimento
Macacos alimentados com quantidade de comida menor que o normal envelhecem de modo mais saudável e podem até viver por mais tempo
Num laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas de Wisconsin, Matthias sofre com a idade. Aos 28 anos, fase da velhice para um macaco reso, Matthias perde os cabelos, arrasta a barriga e ganha rugas no rosto. No entanto, na jaula ao lado, um de seus colegas de laboratório, Rudy, é o retrato da vitalidade simiesca, embora seja só um pouco mais velho.
Com uma simples intervenção no estilo de vida, Rudy e outros primatas como ele, deverão ter vidas muito longas e ativas. Eles recebem uma dieta com restrição calórica, cerca de 30% menos calorias que o normal, mas com quantidades adequadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes.
O modo como essa dieta afeta o corpo é objeto de uma série de estudos e indica que o índice de envelhecimento pode ser manipulado. Dietas de restrição calórica aplicadas a vários animais mostraram que elas interferem em reações moleculares envolvidas no avanço do mal de Alzheimer, diabete, doenças cardíacas, mal de Parkinson e câncer. No início deste ano, pesquisadores afirmaram que a restrição calórica pode ser mais eficaz que o exercício na prevenção de doenças relacionadas à idade.
Macacos como Rudy parecem comprovar a teoria. Os animais submetidos à dieta restritiva gozam de saúde inquestionavelmente melhor que a dos macacos sob dieta normal ao se aproximar da velhice. Estes mostram sinais de envelhecimento similares aos que surgem nos humanos. Três desenvolveram diabete e um quarto morreu da doença. Cinco morreram de câncer.
Mas Rudy e seus colegas de dieta estão se saindo melhor. Nenhum tem diabete e só três morreram de câncer. Ainda é cedo para saber se eles viverão mais que os outros, mas eles têm pressão mais baixa e níveis mais baixos de gorduras perigosas, de glicose e de insulina.
“Os indicadores preliminares apontam para um sólido prolongamento da vida nos animais sob dieta restrita”, afirmou Richard Weindruch, gerontologista da Universidade de Wisconsin que coordena a pesquisa com os macacos.
As descobertas põem em questão antigas crenças científicas e culturais sobre a inevitabilidade da decadência do corpo. Também sugerem que outras intervenções, como novas drogas, podem retardar o envelhecimento mesmo que a dieta se mostre ineficaz nos humanos. Uma das principais candidatas, uma forma recém-sintetizada de resveratrol - antioxidante presente no vinho tinto - já é testada em pacientes. Eventualmente, ela pode se tornar a primeira de uma nova classe de drogas antienvelhecimento.
Baseando-se em conclusões recentes de estudos com animais, Richard A. Miller, patologista da Universidade de Michigan, estimou que uma pílula imitando os efeitos da restrição calórica poderia prolongar o tempo de vida dos humanos para cerca de 112 anos saudáveis, com os mais velhos chegando aos 140. Alguns especialistas consideram a projeção excessivamente otimista.
Fonte: Estado de São Paulo, 01/11/06
Num laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas de Wisconsin, Matthias sofre com a idade. Aos 28 anos, fase da velhice para um macaco reso, Matthias perde os cabelos, arrasta a barriga e ganha rugas no rosto. No entanto, na jaula ao lado, um de seus colegas de laboratório, Rudy, é o retrato da vitalidade simiesca, embora seja só um pouco mais velho.
Com uma simples intervenção no estilo de vida, Rudy e outros primatas como ele, deverão ter vidas muito longas e ativas. Eles recebem uma dieta com restrição calórica, cerca de 30% menos calorias que o normal, mas com quantidades adequadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes.
O modo como essa dieta afeta o corpo é objeto de uma série de estudos e indica que o índice de envelhecimento pode ser manipulado. Dietas de restrição calórica aplicadas a vários animais mostraram que elas interferem em reações moleculares envolvidas no avanço do mal de Alzheimer, diabete, doenças cardíacas, mal de Parkinson e câncer. No início deste ano, pesquisadores afirmaram que a restrição calórica pode ser mais eficaz que o exercício na prevenção de doenças relacionadas à idade.
Macacos como Rudy parecem comprovar a teoria. Os animais submetidos à dieta restritiva gozam de saúde inquestionavelmente melhor que a dos macacos sob dieta normal ao se aproximar da velhice. Estes mostram sinais de envelhecimento similares aos que surgem nos humanos. Três desenvolveram diabete e um quarto morreu da doença. Cinco morreram de câncer.
Mas Rudy e seus colegas de dieta estão se saindo melhor. Nenhum tem diabete e só três morreram de câncer. Ainda é cedo para saber se eles viverão mais que os outros, mas eles têm pressão mais baixa e níveis mais baixos de gorduras perigosas, de glicose e de insulina.
“Os indicadores preliminares apontam para um sólido prolongamento da vida nos animais sob dieta restrita”, afirmou Richard Weindruch, gerontologista da Universidade de Wisconsin que coordena a pesquisa com os macacos.
As descobertas põem em questão antigas crenças científicas e culturais sobre a inevitabilidade da decadência do corpo. Também sugerem que outras intervenções, como novas drogas, podem retardar o envelhecimento mesmo que a dieta se mostre ineficaz nos humanos. Uma das principais candidatas, uma forma recém-sintetizada de resveratrol - antioxidante presente no vinho tinto - já é testada em pacientes. Eventualmente, ela pode se tornar a primeira de uma nova classe de drogas antienvelhecimento.
Baseando-se em conclusões recentes de estudos com animais, Richard A. Miller, patologista da Universidade de Michigan, estimou que uma pílula imitando os efeitos da restrição calórica poderia prolongar o tempo de vida dos humanos para cerca de 112 anos saudáveis, com os mais velhos chegando aos 140. Alguns especialistas consideram a projeção excessivamente otimista.
Fonte: Estado de São Paulo, 01/11/06
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Palestra Tabagismo:
29/07 Das 19:30 as 21:00h
GRUPOS DE APOIO AO TABAGISMO
INÍCIO:
05/08 - Das 19:30 as 21:00h
07/08 - Das 15:00 as 16:30h
Consulte-nos :
Tel. 2865-4845 ou ligabue@grupopsicon.com.br
29/07 Das 19:30 as 21:00h
GRUPOS DE APOIO AO TABAGISMO
INÍCIO:
05/08 - Das 19:30 as 21:00h
07/08 - Das 15:00 as 16:30h
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
Quando a gripe suína está entre nós-Publicado originalmente no PORTAL EXAME, 26.06.09
A influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, já afeta o dia a dia das empresas brasileiras. Companhias como a Vale, a Unilever, a Natura, a Serasa e a Boehringer já anunciaram que ao menos um de seus funcionários apresentou casos confirmados. Outras empresas - como a Comgás - têm suspeitas da doença e ainda aguardam os resultados dos testes.Tanto as companhias que ainda não têm casos confirmados como as que já possuem têm adotado medidas para evitar a contaminação de mais trabalhadores. Em geral, as principais ações englobam a suspensão ou restrição de viagens ao exterior, o monitoramento do estado de saúde de quem viaja a trabalho e o afastamento temporário dos que tiveram contato com pessoas infectadas.Após um caso confirmado, a Unilever Brasil afastou temporariamente outras 24 pessoas que tiveram contato próximo com o empregado infectado. A companhia informa que tomou todas as medidas preventivas recomendadas pela vigilância sanitária e que desde a divulgação dos primeiros casos da gripe suína tem orientado internamente seu time sobre os cuidados necessários para a prevenção da doença.Além de reforçar a importância da higienização e esclarecimento dos sintomas, a Unilever criou um material específico com procedimentos indicados para viagens internacionais, além de colocar à disposição desses funcionários o serviço de saúde da empresa para monitoramento dos viajantes.Na Vale, cerca de 90 funcionários que tiveram contato com um prestador de serviços infectado após uma viagem à Argentina também foram afastados de suas atividades. Até o dia 29 de junho, eles permanecerão em casa, sob observação. As outras medidas adotadas foram higienização das instalações e do duto de ar condicionado dos locais de trabalho onde prestador esteve, a maior orientação aos demais funcionários e o acompanhamento dos empregados com destino e retorno de países considerados áreas de risco pela OMS. Também foram vetadas viagens para o México e reduzidos os deslocamentos para os demais países das Américas e a Austrália. Como alternativa, são usados aparelhos de teleconferências para reuniões entre equipes.Paralelamente, a Vale desenvolveu um plano de contingenciamento pandêmico para os diversos cenários da gripe suína, contemplando até mesmo a possibilidade de que vários empregados sejam infectados. O "centro de controle corporativo", que coordena esse plano, utiliza diversas ferramentas de rastreabilidade dos empregados que viajam ao exterior. Para evitar a proliferação da doença, a Natura, que tem dois casos confirmados e três sob suspeita, orientou os funcionários que trabalham no setor daqueles que foram infectados a procurar orientação médica e a permanecer em casa até que se descarte a contaminação. Os demais também receberam informações sobre a doença e seus sintomas.A Serasa formou um comitê de prevenção, que conta com a participação de médicos. Além de monitorar a gripe suína e estudar a melhor forma de agir, o comitê tem como objetivo conferir maior agilidade na tomada de decisões, proporcionando tranquilidade aos funcionários. Com a confirmação de cinco casos da doença na empresa, as viagens ao exterior foram suspensas. Antes disso, todos os funcionários que saíam do país a trabalho passavam por uma consulta antes e após a viagem. Hoje, 93 funcionários que tiveram contato com os infectados estão afastados para observação. Mas os trabalhos não foram prejudicados pelas medidas. Recursos como videoconferência e e-mail evitam que os projetos sejam paralisados.A Boehringer Ingelheim do Brasil – que, por ironia, atua no setor de saúde – afastou por sete dias 25 trabalhadores sem sintomas que tiveram contato mais prolongado com um funcionário vítima do primeiro caso de gripe H1N1 alocado na fábrica de Itapecerica da Serra (SP). Sua contaminação ocorreu durante uma viagem à Argentina. As medidas preventivas abrangem não apenas os funcionários da fábrica como também outros prestadores de serviços e fornecedores que estiveram nos mesmos locais que o funcionário infectado. A empresa diz que a produção e distribuição de medicamentos e o abastecimento do mercado seguem normalmente.Enquanto aguarda os resultados de dois casos suspeitos, a Comgás já põe em prática seu plano pandêmico.Em geral, os planos pandêmicos das empresas preveem: o monitoramento da evolução das epidemais no mundo, a pré-definição das pessoas que precisam permanecer na empresa e as que podem trabalhar de casa se houver contaminação, a orientação médica dos funcionários e a restrição das viagens a áreas de risco.Mesmo empresas que ainda não registraram nem casos suspeitos da doença também adotam precauções. O Itaú Unibanco, por exemplo, formou um comitê multidisciplinar para acompanhar a evolução da doença em todos os países nas quais possui negócios e que também é responsável por orientar seus funcionários sobre a doença. São enviados aos empregados boletins periódicos sobre as formas de contágio, os principais sintomas e as ações de prevenção, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde. As mesmas informações também estão disponíveis na intranet.Um problema nacionalNo Brasil, a farmacêutica Roche, fabricante do Tamiflu, medicamento antiviral contra gripes como a suína, direcionou toda a produção do remédio para o governo, conforme determinação da Organização Mundial da Saúde. Segundo a empresa, a produção mundial do Tamiflu em 2009 será de 400 milhões de tratamentos.No Brasil, o Ministério da Saúde adquiriu 12.500 tratamentos do Tamiflu para uso imediato e outros 9 milhões estão em estoque. Segundo o órgão, todo paciente atendido pela rede de saúde com sintomas da doença é orientado a procurar um dos 53 centros de referência do ministério, espalhados pelo país. Nesses locais, é feita a coleta de material para os exames e o início do tratamento com administração do medicamento mesmo antes da confirmação da doença.Segundo o último comunicado do Ministério da Saúde, existiam 399 casos de gripe suína confirmados no Brasil e outros 310 sob suspeita. Até 24 de junho, 101 países tinham casos confirmados e divulgados da doença, de acordo com informações dos governos ou da OMS. No mundo, são 56.584 casos confirmados e 259 óbitos - nenhum no Brasil.O que dizem os especialistasSegundo a diretora de divulgação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Márcia Bandini, a experiência com a gripe aviária em 2005 (vírus H5N1) serviu de lição para que a OMS criasse diretrizes sobre as medidas a serem tomadas por governos e empresas a fim de conter eventuais pandemias. Em geral, elas são responsáveis pelo comprometimento de 20% da força de trabalho dos países afetados. “Desde então, a maior parte das grandes empresas do Brasil passou a adotar planos de contingência pandêmicos. Mas isso não significa que as pequenas e médias não possam se preparar também”, diz Márcia.Segundo a médica infectologista do Hospital das Clínicas, Maria Cláudia Stockler, além das medidas já adotadas pelas empresas, existem algumas ações adicionais que podem ser tomadas, como manter álcool gel para a limpeza das mãos em lugares acessíveis e manter janelas abertas para facilitar a circulação de ar.Uma vez constatado o caso, os funcionários que tiveram contato com o doente devem ficar em observação por dez dias. Isso porque, em adultos, o período de incubação costuma ser de sete dias. Caso apresente um dos sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente um dos centros de referência do Ministério da Saúde. Os sintomas principais são febre acima de 37,5 ºC e tosse.Maria Cláudia alerta que o uso da máscara tem efeito limitado. A principal forma de contaminação é por gotículas que são expelidas ao falar, tossir e espirrar. Por isso, é recomendável lavar as mãos várias vezes ao dia com água e sabão ou álcool gel. Após usar o banheiro e antes de comer, é recomendável evitar tocar os olhos, o nariz ou a boca. Além disso, os especialistas afirmam que o melhor é usar lenço de papel descartável e nunca se automedicar. Em relação aos funcionários afastados pelas empresas que tiveram contato com doentes, Márcia ressalta que essas pessoas estão em isolamento domiciliar, mas não são consideradas inaptas para trabalhar. Ou seja, dependendo da atividade, o trabalho pode ser exercido em casa.
Por Gisele Cabrini e Francine De Lorenzo 26.06.2009 11h59
Por Gisele Cabrini e Francine De Lorenzo 26.06.2009 11h59
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A saúde está na mesa // Reportagem interessante....
Um novo estudo questiona os benefícios da dieta na prevenção de doenças como o câncer. Mas ele é cheio de falhas. Acredite: há alimentos que podem, sim, ajudá-lo a ter uma vida mais saudável.
Na semana passada, foi publicado pela Associação Médica Americana o maior estudo já realizado no mundo para avaliar o papel da dieta pobre em gorduras na prevenção de doenças cardíacas e câncer. O resultado surpreendeu porque está na contramão de todas as evidências recolhidas até hoje sobre a influência dos alimentos na manutenção da saúde. Segundo seus autores, comer pouco e se fiar em refeições escassas em gorduras e ricas em grãos, frutas, verduras e legumes não garante a redução dos riscos de distúrbios cardiovasculares e tumores colorretais e de mama. O trabalho, que consumiu 415 milhões de dólares dos cofres do governo americano, faz parte de uma pesquisa mais ampla, a Women's Health Initiative. Ele acompanhou, desde meados da década de 90, cerca de 50.000 mulheres, entre 50 e 79 anos, na pós-menopausa. As voluntárias foram divididas em dois grupos e, ao longo de oito anos, um deles modificou o cardápio e o outro manteve os hábitos alimentares anteriores. De acordo com os pesquisadores, a diferença entre o número de problemas registrados nos dois grupos foi insignificante . Eles explicam que, apesar de o número de mulheres doentes entre as que fizeram dieta ter sido menor, a diferença revelou-se pequena demais para garantir que o mesmo cenário se repetiria em nível populacional. Isso fez com que o estudo chamasse a atenção de todas as pessoas que seguem a cartilha dos médicos e nutricionistas, segundo a qual é possível prevenir doenças pelo que se coloca no prato. Apesar do alvoroço e da grande base de dados do trabalho, o estudo está longe de ser conclusivo. "A metodologia apresenta muitas falhas que podem ter influenciado negativamente os resultados", diz o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de clínica de lípides, do Instituto do Coração, de São Paulo. Curiosamente, esse mesmo estudo levantou, há cerca de quatro anos, uma forte polêmica ao questionar os benefícios da reposição hormonal para a saúde do coração feminino. As conclusões dele, também nesse caso, não foram reafirmadas por outras pesquisas.
Os especialistas que questionam a validade dos dados divulgados agora acreditam que o tempo de estudo – oito anos – é insuficiente para descartar possíveis benefícios da dieta a longo prazo. Outro ponto duvidoso é expandir para a população como um todo os dados obtidos por meio da análise restrita a mulheres com idade acima de 50 anos e na pós-menopausa. Além disso, os pesquisadores recomendaram a redução do consumo total de gorduras e não diferenciaram, na análise, os subtipos de gordura presentes na dieta. Sabe-se que as gorduras saturadas e trans são extremamente danosas à saúde e aumentam os riscos de infarto, derrame e diabetes, mas gorduras poliinsaturadas protegem as artérias e possuem ação antioxidante, o que reduz os riscos de formação de tumores malignos. Há ainda outro problema: o desenho inicial do estudo previa uma diminuição de 20% no consumo de gorduras, mas as pacientes não conseguiram atingir a meta. No primeiro ano, a redução foi de apenas 10,7%. No sexto ano de acompanhamento, a taxa foi ainda menor: 8%. "Todas essas considerações mostram que o estudo é falho", afirma a oncologista Nise Yamaguchi, pesquisadora da Universidade de São Paulo.
Embora a nutrição seja um dos ramos mais especulativos da medicina, a influência dos alimentos sobre a saúde é um tema recorrente na literatura médica há séculos. O artigo mais antigo a esse respeito de que se tem notícia foi escrito 2.600 anos antes de Cristo. Ele relaciona o ritmo elevado e forte dos batimentos cardíacos com a ingestão exagerada de alimentos temperados com sal marinho. No século XVIII, foi publicado o estudo considerado o clássico dos clássicos da literatura médica sobre o tema, em que o médico escocês James Lind discorre sobre a relação entre o escorbuto e o consumo de limão. Depois que foi demonstrado que os marinheiros que ingeriam a fruta, rica em vitamina C, não tinham escorbuto, as frutas cítricas tornaram-se obrigatórias no cardápio da Marinha britânica. No século XX, proliferaram estudos científicos de peso sobre o cardápio nosso de cada dia. Na década de 70, o Estudo dos Sete Países, coordenado por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostrou, pela primeira vez, que existem gorduras saudáveis e outras nocivas ao organismo. Ao longo de doze anos, a equipe analisou a dieta e o tecido adiposo de europeus, americanos e japoneses. Os resultados indicaram que, nas regiões onde é grande a ingestão de gorduras saturadas, houve maior acúmulo de adiposidade nas artérias e, conseqüentemente, aumentou a incidência de doenças cardíacas. No fim da década de 80, foi identificado um tipo de gordura diferente, a trans. Os estudos sobre ela se multiplicaram e, cerca de dez anos depois, descobriu-se finalmente que a trans é o tipo mais perigoso de gordura, pois eleva o colesterol ruim, o LDL, e diminui o bom, o HDL. Com a sua ingestão, aumentam consideravelmente os riscos de infartos, derrames, diabetes e outras doenças. Em 2000, a FDA, a agência do governo americano que controla alimentos e remédios naquele país, incluiu a gordura trans na lista dos alimentos a ser consumidos com moderação. E o cerco a ela se aperta. Há três anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que, até o mês de julho deste ano, todos os rótulos de produtos industrializados vendidos no Brasil informem a quantidade de gordura trans em sua composição.
Nos últimos dez anos, dezenas de pesquisas sobre dieta e alimentação foram realizadas por grandes universidades e centros de saúde dos Estados Unidos e da Europa e outras tantas ainda estão em andamento. Nesse período, houve grandes descobertas e constatações importantes, como as de um estudo publicado no mês passado por pesquisadores da Universidade de Londres. Os ingleses revisaram dados de cerca de 300.000 pessoas, em vários países, e chegaram à conclusão de que comer mais frutas, verduras e legumes diminui o risco de derrame cerebral em até 26%. Outra pesquisa abrangente, divulgada no ano passado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, que acompanhou 500.000 pessoas de dez países europeus e avaliou a influência do consumo de carnes na incidência do câncer colorretal, concluiu que o consumo diário de mais de 160 gramas de carne vermelha aumenta em 35% o risco de desenvolver o câncer e a ingestão de no mínimo 80 gramas de peixe por dia está relacionada à redução do risco desse tipo de tumor em 30%.
Existe uma profusão de constatações a respeito de como a chave da saúde está na mesa. Há dois anos, médicos de Harvard reviram as principais pesquisas sobre dieta e saúde feitas na década anterior. Eles atribuíram a uma alimentação equilibrada a capacidade de prevenir 25% de todos os tipos de câncer. Se a dieta for combinada com exercícios físicos, os efeitos serão ainda melhores. Ela pode evitar até nove de cada dez casos de diabetes tipo 2 e reduzir o risco de doenças cardíacas em 90%. "Sabe-se há vários anos que certos tipos de alimentos são saudáveis, especialmente frutas, verduras, legumes e grãos", diz o relatório. A diferença é que na última década se descobriu por que isso acontece. Hoje, os cientistas podem apontar os nutrientes específicos e outras substâncias contidas nos alimentos que combatem doenças, incluindo vitaminas e minerais. O tomate, por exemplo, é rico em licopeno, um pigmento que, além de dar cor ao fruto, auxilia na prevenção do câncer de próstata. Os benefícios da substância são ainda maiores se o tomate for cozido e acompanhado de um fiozinho de azeite, o que melhora sua absorção. Outra revelação foi que peixes de águas profundas e geladas, como salmão, bacalhau, sardinha e atum, contêm uma gordura ótima para a saúde, o ômega-3. Ela ajuda a diminuir a possibilidade de formação de coágulos nas artérias. Uma série de estudos recentes mostra que a gordura também reduz dores de artrite, melhora a depressão e protege o cérebro contra doenças, entre elas o Alzheimer.
Apesar do enorme volume de informações, existem muitos pontos obscuros a respeito da relação entre alimentação e saúde. "Na verdade, essa é uma área em que ainda há mais perguntas do que conclusões", diz o endocrinologista Ricardo Botticini Peres, de São Paulo. Por isso mesmo, alguns alimentos ora são considerados benéficos, ora maléficos. Nada ilustra melhor esse vaivém científico que as considerações sobre o café e seu principal componente, a cafeína. Na década de 50, a FDA considerou a cafeína boa para o consumo. Em 1978, a mesma agência colocou em dúvida a segurança da substância. Em 1988, pesquisadores americanos afirmaram que o consumo de duas xícaras de café por dia poderia levar à redução da fertilidade feminina. Menos de uma década depois, outro estudo americano descartou essa hipótese. E, finalmente, no ano passado, uma pesquisa de peso, coordenada pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, concluiu que consumir café sem cafeína pode aumentar os riscos de doenças do coração. O mesmo ocorreu com o chocolate. Antigo vilão das dietas saudáveis (por conter alto teor de gordura e açúcar), ele foi inocentado por estudos que apontam os benefícios da guloseima para a memória e para o combate ao colesterol alto.
A partir das pesquisas sobre o impacto da dieta sobre a saúde, foram montadas cartilhas da boa alimentação, pirâmides alimentares e guias que orientam portadores de determinados problemas de saúde, como o diabetes tipo 2, doença que afeta cerca de 170 milhões de pessoas no mundo. Nesse caso, especificamente, a dieta desempenha um papel fundamental, como mostrou um amplo levantamento de Harvard, realizado há cerca de um ano. O guia da alimentação saudável para diabéticos ou pessoas com propensão a desenvolver a doença foi elaborado pela universidade com base em evidências científicas inquestionáveis. São 48 páginas com explicações minuciosas sobre o efeito dos alimentos no controle da doença e até receitas específicas para esse grupo. Todas requerem o controle rigoroso do consumo de carboidratos, como batata e arroz, e de sal.
As primeiras cartilhas alimentares surgiram na década de 70, como instrumentos de orientação do grande público. Eram esquemas relativamente toscos, que classificavam os alimentos segundo sua função – construtores, energéticos e reguladores. O primeiro guia em forma de pirâmide surgiu em 1992, criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Em linhas gerais, essa pirâmide propunha o corte das gorduras e era extremamente liberal no consumo de carboidratos. Passados dez anos, a Universidade Harvard apresentou uma nova versão da pirâmide, que incluía exercícios físicos e na qual o corte radical das gorduras e a ingestão indiscriminada de carboidratos não apareciam mais como garantia de saúde. O novo desenho recomendava a ingestão de carboidratos ricos em fibras, como pães e grãos integrais, e de gorduras insaturadas. No ano passado, a pirâmide alimentar ganhou outra versão do Departamento de Agricultura americano. Foram incorporadas modificações como o aumento das porções de frutas, hortaliças e de grãos integrais e a redução da quantidade de gordura saturada. Seu visual também é diferente. Suas faixas não são horizontais, mas verticais – o que significa que não se deve deixar de comer nada. Essa é a primeira pirâmide que permite ao usuário calcular uma dieta personalizada, levando em conta seu estilo de vida, pela internet (http://www.mypyramid.gov/).
Na semana passada, foi publicado pela Associação Médica Americana o maior estudo já realizado no mundo para avaliar o papel da dieta pobre em gorduras na prevenção de doenças cardíacas e câncer. O resultado surpreendeu porque está na contramão de todas as evidências recolhidas até hoje sobre a influência dos alimentos na manutenção da saúde. Segundo seus autores, comer pouco e se fiar em refeições escassas em gorduras e ricas em grãos, frutas, verduras e legumes não garante a redução dos riscos de distúrbios cardiovasculares e tumores colorretais e de mama. O trabalho, que consumiu 415 milhões de dólares dos cofres do governo americano, faz parte de uma pesquisa mais ampla, a Women's Health Initiative. Ele acompanhou, desde meados da década de 90, cerca de 50.000 mulheres, entre 50 e 79 anos, na pós-menopausa. As voluntárias foram divididas em dois grupos e, ao longo de oito anos, um deles modificou o cardápio e o outro manteve os hábitos alimentares anteriores. De acordo com os pesquisadores, a diferença entre o número de problemas registrados nos dois grupos foi insignificante . Eles explicam que, apesar de o número de mulheres doentes entre as que fizeram dieta ter sido menor, a diferença revelou-se pequena demais para garantir que o mesmo cenário se repetiria em nível populacional. Isso fez com que o estudo chamasse a atenção de todas as pessoas que seguem a cartilha dos médicos e nutricionistas, segundo a qual é possível prevenir doenças pelo que se coloca no prato. Apesar do alvoroço e da grande base de dados do trabalho, o estudo está longe de ser conclusivo. "A metodologia apresenta muitas falhas que podem ter influenciado negativamente os resultados", diz o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de clínica de lípides, do Instituto do Coração, de São Paulo. Curiosamente, esse mesmo estudo levantou, há cerca de quatro anos, uma forte polêmica ao questionar os benefícios da reposição hormonal para a saúde do coração feminino. As conclusões dele, também nesse caso, não foram reafirmadas por outras pesquisas.
Os especialistas que questionam a validade dos dados divulgados agora acreditam que o tempo de estudo – oito anos – é insuficiente para descartar possíveis benefícios da dieta a longo prazo. Outro ponto duvidoso é expandir para a população como um todo os dados obtidos por meio da análise restrita a mulheres com idade acima de 50 anos e na pós-menopausa. Além disso, os pesquisadores recomendaram a redução do consumo total de gorduras e não diferenciaram, na análise, os subtipos de gordura presentes na dieta. Sabe-se que as gorduras saturadas e trans são extremamente danosas à saúde e aumentam os riscos de infarto, derrame e diabetes, mas gorduras poliinsaturadas protegem as artérias e possuem ação antioxidante, o que reduz os riscos de formação de tumores malignos. Há ainda outro problema: o desenho inicial do estudo previa uma diminuição de 20% no consumo de gorduras, mas as pacientes não conseguiram atingir a meta. No primeiro ano, a redução foi de apenas 10,7%. No sexto ano de acompanhamento, a taxa foi ainda menor: 8%. "Todas essas considerações mostram que o estudo é falho", afirma a oncologista Nise Yamaguchi, pesquisadora da Universidade de São Paulo.
Embora a nutrição seja um dos ramos mais especulativos da medicina, a influência dos alimentos sobre a saúde é um tema recorrente na literatura médica há séculos. O artigo mais antigo a esse respeito de que se tem notícia foi escrito 2.600 anos antes de Cristo. Ele relaciona o ritmo elevado e forte dos batimentos cardíacos com a ingestão exagerada de alimentos temperados com sal marinho. No século XVIII, foi publicado o estudo considerado o clássico dos clássicos da literatura médica sobre o tema, em que o médico escocês James Lind discorre sobre a relação entre o escorbuto e o consumo de limão. Depois que foi demonstrado que os marinheiros que ingeriam a fruta, rica em vitamina C, não tinham escorbuto, as frutas cítricas tornaram-se obrigatórias no cardápio da Marinha britânica. No século XX, proliferaram estudos científicos de peso sobre o cardápio nosso de cada dia. Na década de 70, o Estudo dos Sete Países, coordenado por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostrou, pela primeira vez, que existem gorduras saudáveis e outras nocivas ao organismo. Ao longo de doze anos, a equipe analisou a dieta e o tecido adiposo de europeus, americanos e japoneses. Os resultados indicaram que, nas regiões onde é grande a ingestão de gorduras saturadas, houve maior acúmulo de adiposidade nas artérias e, conseqüentemente, aumentou a incidência de doenças cardíacas. No fim da década de 80, foi identificado um tipo de gordura diferente, a trans. Os estudos sobre ela se multiplicaram e, cerca de dez anos depois, descobriu-se finalmente que a trans é o tipo mais perigoso de gordura, pois eleva o colesterol ruim, o LDL, e diminui o bom, o HDL. Com a sua ingestão, aumentam consideravelmente os riscos de infartos, derrames, diabetes e outras doenças. Em 2000, a FDA, a agência do governo americano que controla alimentos e remédios naquele país, incluiu a gordura trans na lista dos alimentos a ser consumidos com moderação. E o cerco a ela se aperta. Há três anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que, até o mês de julho deste ano, todos os rótulos de produtos industrializados vendidos no Brasil informem a quantidade de gordura trans em sua composição.
Nos últimos dez anos, dezenas de pesquisas sobre dieta e alimentação foram realizadas por grandes universidades e centros de saúde dos Estados Unidos e da Europa e outras tantas ainda estão em andamento. Nesse período, houve grandes descobertas e constatações importantes, como as de um estudo publicado no mês passado por pesquisadores da Universidade de Londres. Os ingleses revisaram dados de cerca de 300.000 pessoas, em vários países, e chegaram à conclusão de que comer mais frutas, verduras e legumes diminui o risco de derrame cerebral em até 26%. Outra pesquisa abrangente, divulgada no ano passado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, que acompanhou 500.000 pessoas de dez países europeus e avaliou a influência do consumo de carnes na incidência do câncer colorretal, concluiu que o consumo diário de mais de 160 gramas de carne vermelha aumenta em 35% o risco de desenvolver o câncer e a ingestão de no mínimo 80 gramas de peixe por dia está relacionada à redução do risco desse tipo de tumor em 30%.
Existe uma profusão de constatações a respeito de como a chave da saúde está na mesa. Há dois anos, médicos de Harvard reviram as principais pesquisas sobre dieta e saúde feitas na década anterior. Eles atribuíram a uma alimentação equilibrada a capacidade de prevenir 25% de todos os tipos de câncer. Se a dieta for combinada com exercícios físicos, os efeitos serão ainda melhores. Ela pode evitar até nove de cada dez casos de diabetes tipo 2 e reduzir o risco de doenças cardíacas em 90%. "Sabe-se há vários anos que certos tipos de alimentos são saudáveis, especialmente frutas, verduras, legumes e grãos", diz o relatório. A diferença é que na última década se descobriu por que isso acontece. Hoje, os cientistas podem apontar os nutrientes específicos e outras substâncias contidas nos alimentos que combatem doenças, incluindo vitaminas e minerais. O tomate, por exemplo, é rico em licopeno, um pigmento que, além de dar cor ao fruto, auxilia na prevenção do câncer de próstata. Os benefícios da substância são ainda maiores se o tomate for cozido e acompanhado de um fiozinho de azeite, o que melhora sua absorção. Outra revelação foi que peixes de águas profundas e geladas, como salmão, bacalhau, sardinha e atum, contêm uma gordura ótima para a saúde, o ômega-3. Ela ajuda a diminuir a possibilidade de formação de coágulos nas artérias. Uma série de estudos recentes mostra que a gordura também reduz dores de artrite, melhora a depressão e protege o cérebro contra doenças, entre elas o Alzheimer.
Apesar do enorme volume de informações, existem muitos pontos obscuros a respeito da relação entre alimentação e saúde. "Na verdade, essa é uma área em que ainda há mais perguntas do que conclusões", diz o endocrinologista Ricardo Botticini Peres, de São Paulo. Por isso mesmo, alguns alimentos ora são considerados benéficos, ora maléficos. Nada ilustra melhor esse vaivém científico que as considerações sobre o café e seu principal componente, a cafeína. Na década de 50, a FDA considerou a cafeína boa para o consumo. Em 1978, a mesma agência colocou em dúvida a segurança da substância. Em 1988, pesquisadores americanos afirmaram que o consumo de duas xícaras de café por dia poderia levar à redução da fertilidade feminina. Menos de uma década depois, outro estudo americano descartou essa hipótese. E, finalmente, no ano passado, uma pesquisa de peso, coordenada pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, concluiu que consumir café sem cafeína pode aumentar os riscos de doenças do coração. O mesmo ocorreu com o chocolate. Antigo vilão das dietas saudáveis (por conter alto teor de gordura e açúcar), ele foi inocentado por estudos que apontam os benefícios da guloseima para a memória e para o combate ao colesterol alto.
A partir das pesquisas sobre o impacto da dieta sobre a saúde, foram montadas cartilhas da boa alimentação, pirâmides alimentares e guias que orientam portadores de determinados problemas de saúde, como o diabetes tipo 2, doença que afeta cerca de 170 milhões de pessoas no mundo. Nesse caso, especificamente, a dieta desempenha um papel fundamental, como mostrou um amplo levantamento de Harvard, realizado há cerca de um ano. O guia da alimentação saudável para diabéticos ou pessoas com propensão a desenvolver a doença foi elaborado pela universidade com base em evidências científicas inquestionáveis. São 48 páginas com explicações minuciosas sobre o efeito dos alimentos no controle da doença e até receitas específicas para esse grupo. Todas requerem o controle rigoroso do consumo de carboidratos, como batata e arroz, e de sal.
As primeiras cartilhas alimentares surgiram na década de 70, como instrumentos de orientação do grande público. Eram esquemas relativamente toscos, que classificavam os alimentos segundo sua função – construtores, energéticos e reguladores. O primeiro guia em forma de pirâmide surgiu em 1992, criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Em linhas gerais, essa pirâmide propunha o corte das gorduras e era extremamente liberal no consumo de carboidratos. Passados dez anos, a Universidade Harvard apresentou uma nova versão da pirâmide, que incluía exercícios físicos e na qual o corte radical das gorduras e a ingestão indiscriminada de carboidratos não apareciam mais como garantia de saúde. O novo desenho recomendava a ingestão de carboidratos ricos em fibras, como pães e grãos integrais, e de gorduras insaturadas. No ano passado, a pirâmide alimentar ganhou outra versão do Departamento de Agricultura americano. Foram incorporadas modificações como o aumento das porções de frutas, hortaliças e de grãos integrais e a redução da quantidade de gordura saturada. Seu visual também é diferente. Suas faixas não são horizontais, mas verticais – o que significa que não se deve deixar de comer nada. Essa é a primeira pirâmide que permite ao usuário calcular uma dieta personalizada, levando em conta seu estilo de vida, pela internet (http://www.mypyramid.gov/).
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